quarta-feira, 21 de março de 2012

O valioso tempo dos maduros

Passado toda a euforia da fundação e instalação de nosso Grande Capítulo, serenamos pelo que já aconteceu e nos entusiasmamos pelo que está porvir. A jornada é grande e para tanto deve ser prazerosa, pois só assim passarão pedras e obstáculos para chegarmos ao nosso tão esperado desejo. Esperamos muitos companheiros ladeando nossos ombros, em ajuda mutua.
Quanto aqueles que só buscam se preocupar como criar problemas a outrem, e mais ainda, àqueles que ainda não entenderam por que resolvemos criar tudo isso que hoje é realidade, faço uso de um texto do Mário de Andrade que retrata um pouco tudo que está acontecendo. Não sou tão intelectualizado quanto a alguns que se intitulam como tal, porém tenho sentimentos e sensibilidade a transbordar quando vejo palavras como estas.
Boa Leitura!
Hugo Borges

O Valioso tempo dos maduros (Mário de Andrade)
Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
‘As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos’.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa…
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade,
Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade,
O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

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